Tempo Rei

Fiquei surpresa ao ler o texto abaixo da atriz Carolina Ferraz. O texto foi publicado na revista Joyce Pascowitch e eu nem sabia que ela também era colunista da revista. Adorei o texto porque fala sobre o tempo, que sempre reclamo ser tão raro hoje em dia e de como sentimos saudades de muitas coisas que passaram e que nem demos tanta importância assim no momento. Ainda ontem encontrei uma amiga de muitos anos e nos divertimos muito nos lembrando de como nos divertíamos. E é bem provável que daqui há alguns anos também estaremos fazendo os mesmos comentários sobre os dias de hoje… Nos lembramos das coisas boas e as ruins se tornam tão insignificantes que nem as consideramos, é quase como se elas não existissem, mas é claro que elas existiram. Por isso que hoje em dia me policio para dar importância para as coisas que continuarão sendo importantes daqui algum tempo. Do mais, nada de desperdício de tempo e sentimento com coisas e pessoas pequenas… Não é fácil, mas estou aprendendo e tentando me manter sempre alerta. Agora segue o texto citado no início, espero que gostem:

Tempo Rei – Carolina Ferraz

Separações nos acompanham ao longo da vida.  Algumas são tristes e dolorosas, outras damos graças a Deus que finalmente se consumaram. É um tema recorrente paa mim, imagino que para muitas pesoas também, seja lá por qual motivo, o alegre ou o triste. Estou falando de coisas sérias, mas também daquelas menos nobres, como aquele livro que adorava e perdi na ponte aérea, me separei dele, daquela leitura, posso comprar outro, mas não será a mesma coisa. Falo de vidas tão juntas, emparelhadas e de repente… O que era certo, absoluto, se desfaz. Na minah vida houve muitos encontros, mas confesso, os desencontros e aeparações me marcaram mais. Quase melancólica, me sinto muitas vezes saudosa de alguém que se foi, uma época que não volta mais ou de alguém que ainda não foi, mas que sei irá em breve. A vida segue inevitável, mas nossos corações e mentes simplesmente segue adiante! Existe uma grande  beleza nisso, a valorização de um estado afetivo que ambicionamos guardar no peito, na pele, no sangue… Pois acredito que certas coisas são como preciosos presentes que valem a pena ser guardados. Uma grande  amizade, uma noite inesquecível, aquele dia em que seu filho disse “eu te amo” pela primeira vez, um Natal com toda a família, a primeira vez que subi num balão… São tantas coisas que nos separam do ontem e nos projetam no futuro. Gostaria de abraçar o hoje, segurá-lo em meus braços com força para que ele não me escape! Dourá-lo como quem “doura pílulas”, saboreá-lo como um enorme milk-shake de chocolate e desejar que hoje não se acabe, não se vá… Desejo inútil o meu, eu sei! Mas sou sonhadora e descobri recentemente que o único lugar que realmente me protege dessas separações da vida, é o hoje. Por isso, tudo que tenho, possuo e amo, alimento e cuido como se hoje fosse algo eterno, mesmo que  não seja…

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Uma resposta a Tempo Rei

  1. Mari disse:

    Ká,

    O que dizer de tamanha delicadeza? Simplesmente perfeito, né?
    Saiba que sempre lembro de você com muito carinho pq foi ( e ainda é) uma pessoa que me ensinou muito sobre como valorizar as pessoas e os momentos que devem ser valorizados, por isso não me canso de dizer que vc é uma sábia! Hehehe!

    Um grande beijo com saudades,
    Mari

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